Você percebe que a pessoa está com saudade quando ela passa a fazer as suas vontades. (em July Panda)
Comando relacional ou satisfação pessoal
Eu me acho um tanto contraditória comigo mesma. Ao mesmo tempo que me acho interessante, atraente e com um papo inteligente até demais perante aos tais, também acho que sou sem sal, que não chego nem aos pés das meninas que uns ou outros que me interessam podem ficar. E morro de medo deles viajarem no meu vocábulo que não é nem tão formal, mas ainda assim é exuberante para o intelecto deles.
Desde que me entendo por gente, sempre me interessei pelos mais velhos. A minha precocidade me avançou em pontos positivos e negativos, e creio que um ponto misto foi esta atração. Ao mesmo tempo que subentendi a mente masculina antes das outras garotas da minha faixa etária, também caí na lábia deles antes mesmo delas, o que me ocasionou um sofrimento nova demais, um tombo nova demais e, consequentemente, o aprendizado nova demais. E depois de entender quase tudo o que precisava sobre garotos, homens e os que passam a perna, resolvi retroceder.
Em algum momento da minha vida, mais precisamente ano passado, passei a me interessar também pelos garotos da minha faixa. O interesse pelos mais velhos sempre partiu pela questão de mentalidade, nunca pela exuberância que eles poderiam transparecer. Já me envolvi com gente de classe média, outros com ótimas condições e uns que nem sei o que têm. Como sempre tive uma expectativa bastante peculiar para a minha vida, o interesse pelo que os carinhas têm é o de menos, honestamente. Então, voltando ao ponto, o interesse pelos garotos da minha idade passou a vir quando eu me senti no poder de dominá-los e comandar a relação, porque, ao se envolver com gente mais velha, acaba sendo normal se sentir inferior à mente deles, e eu, abusivamente, senti que estava na minha hora de comandar, queria sentir o gosto de uma certa autoridade relacional.
Após me envolver com dois garotos mais novos e ter levado um chega-pra-lá dos dois, pude perceber que ninguém é capaz de controlar ninguém, o que eu já devia saber teoricamente, apesar de nunca ter sentido na prática. Com o primeiro não fiquei mal, porque senti que ele precisava estudar e, por este motivo, não poderíamos ficar juntos, até porque não estava rolando tanta química da parte dele. A desculpa colou por ele ser da minha sala. O segundo também era da minha sala e ao contrário do anterior, nos entrosamos muito. Ele fazia todas as minhas vontades e era um amor comigo. Senti que eu era a comandante do relacionamento, até ele ficar com outra garota que possui o mesmo nome e sobrenome que o meu (lembrando que depois eu dei o troco voltando a ficar com ele e largando-o de mão. Tremenda molecagem minha, assumo).
Duas experiências desastrosas não resultaram em uma desistência. Apesar de eu estar convicta de que a ânsia pelo comando não é um ponto positivo, tampouco meu ponto forte, a desistência não ocorreu porque eu transferi toda a culpa para eles. Eu retirei todos os meus erros da frente, sem assumi-los, talvez, para então, poder repetir tudo o que eu havia feito com os dois, com outros carinhas. Enquanto os meus amigos homens tentavam me explicar, em forma de consolo, que isto não funcionaria agora por eles serem novos demais, imaturos e a fase da “pegação” estar em alta, eu nunca pude me conformar em não me gabar do nível que sou e me submeter a ficar com os mais novos apenas por uma satisfação pessoal. E os mesmos amigos ainda falavam que eu era o troféu deles.
E eu acho que esperava até de mim que esta fase passasse, mas é, não passou. Não é que eu tenha gostado de ficar com eles, acho até que gostei, só que, por algum motivo maior, não consegui me desvencilhar de ficar com mentalidades inferiores à minha, não mais como forma de comando, sim por questão de estudo e aprendizado. Os mais velhos continuam sendo bem vindos, porém, suas manhas ultrapassadas não me atraem mais. O que me impulsiona é o mistério, a vergonha de falar dos sentimentos até eu olhar nos olhos, a retribuição que eles não me dão, a falta de prática que levam eles a não saberem a hora certa de me abraçar ou de me beijar; só os mais novos são capazes de agir de tal maneira.
Não tem mais graça ficar com alguém que já entende o que eu digo e se aprofunda na conversa usando as mesmas palavras que eu. Os que são os mais velhos para mim, hoje, conversam muito ao mesmo tempo que também querem muito. Exigem a cobrança, exigem o afeto, exigem o tal sexo que eu não posso oferecer por achar que o meu corpo não é o brinde só porque eles têm carro, conta bancária e pagam a porra da conta sem que eu faça cara de paisagem. A atitude mais madura, ao meu ver de hoje, não passa da molecagem que eu tanto vi e julguei, sendo que a diferença está que eles sabem fazer com mais audácia e convencimento. E eu não caio.
Procuro o que me motiva e me atrai. O meu feitio é sofrer um pouquinho para depois ganhar, não ter facilidade nas tarefas para depois me gabar e, no momento, o que me proporciona tal convencimento interno são os menininhos. Ainda que falem que eu mereço coisa melhor, que têm muitos outros querendo se envolver comigo, eu vou carregando cada vez mais a certeza de que enquanto eu não conseguir lutar e ganhar, vou continuar me contentando em perder um por um, mesmo que a moldura certa esteja na estante.




